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MEI

MEI com CNAE de transporte: como funciona?

Entenda como funciona o MEI com CNAE de transporte, quais atividades são permitidas, quando entra o MEI Caminhoneiro e o que muda em faturamento, DAS e exigências.

31/03/20261 min de leituraMEI
Capa do post MEI com CNAE de transporte: como funciona?

MEI com CNAE de transporte: como funciona?

Se você quer abrir um MEI com CNAE de transporte, a primeira coisa que precisa entender é simples: transporte no MEI não é tudo a mesma coisa.

Muita gente joga tudo no mesmo balaio e trata como se “trabalhar com transporte” fosse uma atividade única. Só que não é. Dentro do MEI, transporte pode significar:

  • entrega rápida;
  • malote;
  • motorista por aplicativo;
  • mototáxi;
  • carreto municipal;
  • transporte rodoviário de carga;
  • mudanças;
  • transporte de produtos perigosos.

E cada uma dessas realidades pode levar a um CNAE diferente, uma ocupação diferente e, em alguns casos, até a um regime diferente, como acontece com o MEI Caminhoneiro.

Resposta curta

Se você quer um resumo direto antes de entrar nos detalhes, é este:

Tipo de atividade Exemplo de ocupação no MEI CNAE Regra mais comum
Entrega rápida Motoboy Independente / Bikeboy 5320-2/02 MEI comum
Malote e courier Entregador de Malotes Independente 5320-2/01 MEI comum
Passageiros Motorista (por aplicativo ou não) Independente 4923-0/02 MEI comum
Mototáxi Mototaxista Independente 4923-0/01 MEI comum
Carreto municipal Transportador(a) Municipal de Cargas Não Perigosas (Carreto) Independente 4930-2/01 MEI comum, em muitos casos
Transporte rodoviário de carga Transportador Autônomo de Carga 4930-2/01, 4930-2/02, 4930-2/03, 4930-2/04 Pode entrar no MEI Caminhoneiro

O ponto central é este: não existe “CNAE de transporte” único para MEI. O enquadramento depende do que você realmente faz na rua, no veículo e na operação.

Primeiro: o que muda quando o CNAE é de transporte?

Quando o MEI escolhe uma atividade da área de transporte, ele não muda só o nome da ocupação. Em muitos casos, ele muda também:

  • a natureza do serviço;
  • a incidência de ISS ou ICMS;
  • a necessidade de olhar para exigências regulatórias da atividade;
  • o enquadramento entre MEI comum e MEI Caminhoneiro;
  • o limite de faturamento anual.

Ou seja: escolher um CNAE “mais ou menos parecido” aqui é receita pronta para dor de cabeça.

Quais atividades de transporte são permitidas no MEI comum?

O MEI comum aceita várias atividades de transporte e entrega. Entre as mais conhecidas, estão estas:

Entrega rápida

  • Motoboy Independente — CNAE 5320-2/02
  • Bikeboy (Ciclista Mensageiro) Independente — CNAE 5320-2/02

Esse CNAE conversa com a lógica de entrega urbana rápida, como:

  • delivery;
  • entrega de encomendas;
  • entrega de mercadoria em curta distância;
  • última milha;
  • entrega para apps e comércios locais.

Malote e courier

  • Entregador de Malotes Independente — CNAE 5320-2/01

Esse enquadramento faz mais sentido quando a atividade tem perfil de:

  • malotes;
  • documentos;
  • coleta e entrega por terceiros;
  • courier;
  • volumes fora da lógica clássica de delivery rápido.

Transporte de passageiros

  • Motorista (por aplicativo ou não) Independente — CNAE 4923-0/02
  • Mototaxista Independente — CNAE 4923-0/01

Aqui já estamos falando de transporte de pessoas, não de encomendas.

Esse detalhe é óbvio no papel, mas muita gente ainda mistura:

  • motorista por aplicativo;
  • motoboy;
  • carreto;
  • transporte de carga.

Não misture. Cada um tem lógica própria.

Carreto municipal

  • Transportador(a) Municipal de Cargas Não Perigosas (Carreto) Independente — CNAE 4930-2/01

Esse CNAE costuma fazer sentido para:

  • carreto;
  • transporte de carga dentro do município;
  • pequenas mudanças locais;
  • transporte municipal de volumes e cargas não perigosas.

Esse já é um tipo de atividade que fica na fronteira entre o MEI comum e o universo do transportador autônomo de cargas.

Quando entra o MEI Caminhoneiro?

Aqui está a virada mais importante do tema.

O MEI Caminhoneiro é uma modalidade específica para quem atua como transportador autônomo de cargas em ocupações da Tabela B das atividades permitidas.

As ocupações desse regime são:

Ocupação CNAE
Transportador Autônomo de Carga - Municipal 4930-2/01
Transportador Autônomo de Carga Intermunicipal, Interestadual e Internacional 4930-2/02
Transportador Autônomo de Carga - Produtos Perigosos 4930-2/03
Transportador Autônomo de Carga - Mudanças 4930-2/04

Isso significa que nem todo transporte no MEI vira MEI Caminhoneiro.

Essa modalidade é pensada para quem atua com transporte rodoviário de cargas de forma mais específica. Então, por exemplo:

  • motoboy não é MEI Caminhoneiro;
  • bikeboy não é MEI Caminhoneiro;
  • motorista por aplicativo não é MEI Caminhoneiro;
  • mototaxista não é MEI Caminhoneiro.

O MEI Caminhoneiro é para carga, não para qualquer atividade com roda e combustível.

O mesmo CNAE pode aparecer no MEI comum e no MEI Caminhoneiro?

Em alguns casos, sim. E é aqui que muita gente se enrola.

O CNAE 4930-2/01, por exemplo, pode aparecer:

  • no MEI comum, como Transportador(a) Municipal de Cargas Não Perigosas (Carreto) Independente;
  • e também no MEI Caminhoneiro, como Transportador Autônomo de Carga - Municipal.

Algo parecido acontece com mudanças, que também podem entrar nessa zona de sobreposição.

O que isso quer dizer na prática?

Que nem toda atividade de carga municipal obriga o empreendedor a virar MEI Caminhoneiro.

Se a sua operação for restrita a atividades que também já são aceitas no MEI comum, pode existir espaço para permanecer no modelo tradicional, especialmente se você:

  • não precisa do limite maior de faturamento;
  • quer manter possibilidade de incluir outras atividades permitidas do MEI comum;
  • não atua em carga intermunicipal, interestadual, internacional ou produtos perigosos.

Agora, quando a atividade entra em transporte autônomo de cargas intermunicipal, interestadual, internacional ou produtos perigosos, a conversa muda e o enquadramento no MEI Caminhoneiro ganha peso real.

Diferença entre MEI comum e MEI Caminhoneiro

Essa é a parte que mais interessa para quem trabalha com transporte rodoviário de carga.

Ponto MEI comum MEI Caminhoneiro
Limite anual de faturamento R$ 81.000,00 R$ 251.600,00
INSS no DAS em 2026 R$ 81,05 R$ 194,52
Pode ter 1 empregado? Sim Sim
Pode ter outro CNPJ? Não Não
Pode abrir filial? Não Não
Tipo de atividade Ocupações gerais permitidas Ocupações exclusivas de transportador autônomo de cargas

Em ambos os casos, ainda pode haver acréscimo de ISS ou ICMS no DAS conforme a atividade.

Em português claro: o MEI Caminhoneiro existe para dar um enquadramento mais adequado ao transportador autônomo de carga, inclusive com limite de faturamento bem mais alto do que o MEI tradicional.

Em 2026, quanto o MEI de transporte paga no DAS?

Para não deixar esse ponto no ar, vale colocar em termos objetivos.

MEI comum em 2026

O DAS parte de:

  • R$ 81,05 de INSS
  • + R$ 5,00 de ISS, se a atividade for contribuinte desse imposto
  • + R$ 1,00 de ICMS, se a atividade for contribuinte desse imposto

MEI Caminhoneiro em 2026

O DAS parte de:

  • R$ 194,52 de INSS
  • + R$ 5,00 de ISS, se aplicável
  • + R$ 1,00 de ICMS, se aplicável

O detalhe importante aqui é que o MEI Caminhoneiro recolhe 12% sobre o salário mínimo, enquanto o MEI comum recolhe 5%.

ISS ou ICMS: qual imposto entra no transporte?

Depende do tipo de atividade.

Esse é outro ponto que costuma gerar confusão. Dentro do transporte, há CNAEs com lógica mais ligada a ISS, outros com ICMS, e alguns em que a leitura tributária precisa ser observada com cuidado de acordo com a atividade e a operação.

Na prática, o que você precisa guardar é isto:

  • transporte municipal costuma estar mais perto do ISS em vários enquadramentos;
  • transporte intermunicipal, interestadual e internacional de cargas já entra em uma lógica fortemente ligada ao ICMS;
  • entrega rápida, malote e passageiros têm leitura própria conforme a ocupação.

O erro clássico é achar que todo “transporte” paga a mesma coisa. Não paga.

ANTT e RNTRC: quando isso entra no jogo?

Se a sua atividade é de transporte rodoviário remunerado de cargas, especialmente no universo de TAC, não basta olhar só para o MEI.

Existe também a camada regulatória da ANTT.

O RNTRC é o registro obrigatório para quem explora atividade econômica de transporte rodoviário remunerado de cargas. Então, dependendo do seu caso, abrir o MEI não encerra a regularização. Ele é só uma parte dela.

Isso pesa mais para quem atua como:

  • transportador autônomo de cargas;
  • carga intermunicipal;
  • carga interestadual;
  • mudanças;
  • produtos perigosos;
  • operação rodoviária de carga com perfil mais profissional do setor.

Em resumo: CNPJ certo não substitui registro regulatório quando a atividade exige registro regulatório.

Como escolher o CNAE certo no transporte

Antes de abrir o MEI, responda estas perguntas:

1. Você transporta o quê?

  • pessoas;
  • comida;
  • documentos;
  • encomendas;
  • mercadorias;
  • carga;
  • mudança;
  • produto perigoso.

2. Você opera onde?

  • dentro do município;
  • entre municípios;
  • entre estados;
  • operação internacional.

3. Sua atividade é entrega rápida ou transporte de carga?

Isso faz toda a diferença.

4. Você precisa de qual limite de faturamento?

  • até R$ 81 mil pode caber no MEI comum;
  • até R$ 251,6 mil já empurra o raciocínio para o MEI Caminhoneiro, quando a atividade for de carga.

5. Sua atividade exige ANTT/RNTRC?

Se for transporte rodoviário remunerado de cargas, você precisa olhar para isso com seriedade.

Erros mais comuns de quem abre MEI de transporte

1. Escolher o CNAE pelo nome “mais parecido”

Esse é o erro campeão.

A pessoa vê “transporte”, “motorista”, “entregador” ou “carga”, acha que tudo conversa entre si e abre no que parece mais perto.

Resultado: CNPJ torto desde o primeiro dia.

2. Confundir passageiro com carga

Motorista por aplicativo não é a mesma coisa que motoboy. Motoboy não é a mesma coisa que carreto. Carreto não é a mesma coisa que TAC interestadual.

3. Achar que todo transporte entra no MEI Caminhoneiro

Não entra.

O MEI Caminhoneiro é uma modalidade específica para transportador autônomo de cargas.

4. Ignorar o limite de faturamento

Tem gente que abre no MEI comum quando a operação já aponta para um limite muito acima do que o modelo suporta.

5. Esquecer a parte regulatória

Para certas operações de carga, não basta só formalizar o MEI. Também é preciso olhar ANTT, RNTRC e as exigências da atividade.

FAQ sobre MEI com CNAE de transporte

Todo CNAE de transporte pode ser MEI?

Não. O CNAE precisa estar dentro das ocupações permitidas ao MEI. Transporte é uma área ampla, e só algumas atividades específicas entram na lista permitida.

Motoboy entra em qual CNAE no MEI?

Em geral, Motoboy Independente — CNAE 5320-2/02, ligado a serviços de entrega rápida.

Motorista por aplicativo pode ser MEI?

Sim. A ocupação permitida é Motorista (por aplicativo ou não) Independente — CNAE 4923-0/02.

Carreto municipal entra no MEI comum ou no MEI Caminhoneiro?

Pode aparecer nos dois cenários, dependendo do enquadramento da atividade. O CNAE 4930-2/01 é um ponto de sobreposição importante entre MEI comum e MEI Caminhoneiro.

Quem faz transporte interestadual de carga pode ficar no MEI comum?

Aqui o cenário já aponta para o universo do MEI Caminhoneiro, porque a atividade de transportador autônomo de carga intermunicipal, interestadual e internacional está na Tabela B.

MEI Caminhoneiro pode faturar mais do que o MEI comum?

Sim. O limite anual é de R$ 251.600,00, enquanto o MEI comum segue com R$ 81.000,00.

Quem trabalha com carga precisa olhar só o CNPJ?

Não. Dependendo da atividade, também é preciso observar as exigências da ANTT e do RNTRC.

Conclusão

MEI com CNAE de transporte funciona, mas funciona por trilhas diferentes.

Uma coisa é:

  • motoboy;
  • bikeboy;
  • malote;
  • motorista por aplicativo;
  • mototáxi.

Outra, bem diferente, é:

  • transporte autônomo de carga municipal;
  • carga intermunicipal;
  • carga interestadual;
  • mudanças;
  • produtos perigosos.

É justamente por isso que o tema precisa ser tratado com precisão. O erro aqui não é só burocrático. Ele pode afetar faturamento, imposto, enquadramento e até a regularidade da atividade.

Se você vive do volante, da moto, da bike ou da carga, abrir o MEI certo é o começo. O resto é organizar a operação com clareza. E, para o MEI que precisa acompanhar receitas, despesas, alertas, limite do regime e visão financeira do negócio em um só lugar, vale conhecer a Kontaê.

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